
Tinha medo do bicho papão. Cobria os pés com o cobertor por medo de monstros invadirem o seu quarto. Desligava o interruptor e corria para a cama, temendo a escuridão. Brincava com bonecas, vivia rodeada de ursinhos que possui até hoje. Parecia ser comum, mas era tão diferente. Sentava-se no cantinho da sala, com seus poucos colegas. Nunca foi boa em Educação Artística, pois não sabia desenhar direitinho. Mas era razoável em Português. A única da sala que adorava fazer redações. Nunca foi a garota mais inteligente e nunca teve muita admiração de sua família. Nunca foi rodeada por meninos, pelo contrário, não causava muito interesse nas pessoas. E nem causa. Sempre se contentou com coisas simples, como bijuterias e abraços. Diferente de outras pessoas com a mesma faixa etária, que queriam os melhores brinquedos e as melhores roupas. Valorizou todos os seus feitos, os presentes que ganhou. E valoriza. Mas não é muito valorizada, coitada. Não é indispensável. É…deslocada. Palavra perfeita para descrevê-la. Indecifrável, como um cubo mágico. Só os esforçados conseguiam desvendá-la, mas jamais por completo. Uma parte, pelo menos. Ela é de Marte e veio parar logo no planeta Terra. Quanto azar, minha querida. Só espero que consiga reverter a situação. Encontrar outro extraterreste pelo caminho que te entenda e te complete. Que te ame e te ofereça um “até que a morte nos separe”. Boa sorte, a jornada é longa e o tempo é curto. Um, dois, três. Levante-se e comece a correr. — Mayne S, linhas gastas

“Observando pela janela o tempo estava fechando, uma noite longa e fria viria. Sentada na escrivaninha ela tentava escrever o que estava sentindo… Queria desabafar com o papel, mas não sabia por onde começar; milhões de pensamentos e todos os seus sentimentos a mil. Encarava o tempo novamente, forçava a mente. E depois de vários minutos se passarem ela desistiu. Desistiu de tentar desabafar, lagrimas quentes rolavam pelo seu rosto. E ela que gostava tanto de escrever o que sentia, se viu sem palavras. A escrita para ela era o seu refúgio e isso foi-se em bora. Não sabia ao certo o que estava acontecendo, talvez não fosse o momento certo para escrever, talvez a escrita havia deixado de ser o seu desabafo. Mas o que ela precisava agora era de alguém ao seu lado, alguém que entendesse toda a angustia que ela sentia por acontecimentos passados. Precisava de atenção algo que ultimamente ela não recebe. Ou ela apenas precisava mudar, pra si própria. Deixar de lado toda ignorância e ironia que haviam infiltrado nela com o passar do tempo, esquecer toda magoa que já lhe causará. E foi assim que ela percebeu sobre o que escrever, guardou as lagrimas para os momentos de felicidade e abriu o sorriso mais lindo que já deu para que assim começasse uma nova fase em sua vida, a fase da felicidade.“ - Thata. (Sua♡Companheira.)




[...] Ultimamente, eu só me perco
Eu apenas me lembro dos claros cômodos. Diferentes desse sótão que hoje divido com a escuridão e o cheiro de abandono. Era tão diferente. E como eu pude não perceber as mudanças?
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